A dor da conquista



O O relógio do celular soou onze horas da noite. Horário padrão para se preparar e ir trabalhar, ele pegou sua mochila, as chaves e, por último, sua motocicleta. Ao dirigir pelas ruas quase desertas, nenhum sinal de pessoas, poucos carros na rua, apenas o forte ronco do motor de seu veículo atrapalhava quem tentava dormir. Estava tudo nos conformes para o segurança de uma empresa no Município de Esteio.

Manoel, após chegar na empresa, guardou sua motocicleta e dirigiu-se para a guarita de segurança. Sem muito o que fazer , assistiu televisão até que de repente levou um susto. Um barulho muito forte escutou, se tratava de um trovão. O segurança observou pela janela e o que já esperava acontecera, havia começado um temporal.

Finalmente chegou o horário de ir embora e descansar para o próximo dia. Manoel ficou apavorado, pois até então não sabia o tamanho do estrago causado pelo temporal. Quase não conseguiu chegar em casa, pois algumas ruas da cidade estavam completamente alagadas, a chuva não parou por um instante desde o primeiro trovão horas atrás. Chegando perto de sua casa o pavor começou, pois as casas de seus vizinhos estavam alagadas, cerca de um metro profundidade.

Como um vizinho não foi afetado por morar do outro lado da Avenida onde a superfície era mais alta, deixou por lá a motocicleta e foi nadando verificar sua casa. Chegou em frente a sua casa e mesmo com toda experiência e profissionalismo de Manoel como segurança, não aguentou o sofrimento ao ver tudo que lutou ir por água a baixo, literalmente. Começou a chorar enquanto entrava em sua residência, vasculhando quarto por quarto, pois a água estava por toda parte. Há muitas coisas feias no mundo, mas o sofrimento que Manoel e outras famílias passaram, perder tudo que lutaram em poucas horas, não tem ranking para classificar o grau de feiura.



— Texto inspirado na enchente que devastou a cidade de Esteio no Rio Grande do Sul.

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