Sempre adorei o natal, desde pequena. O mês de dezembro trazia em seus dias uma serenidade que não era vista em qualquer outro dia do ano. Não havia multidões correndo nas ruas, preocupadas com seus próprios mundos, ignorando qualquer sinal de vida que passasse ao seu redor. No final do ano, as ruas começavam a ser enfeitadas, e as luzes da cidade acendiam-se, iluminado as noites. A história a seguir não começa com "Era uma vez". É simplesmente uma história. Uma história sobre descobertas felizes e sobre como elas acontecem quando a gente menos espera.“Do inglês. Serendipity, termo adaptado por Horace Walpole, inspirado no conto de fadas persa intitulado em inglês The Three Princes of Serendip. Significa o dom de atrair o acontecimento de coisas felizes ou úteis, ou de descobri-las por acaso.”
— Alice! Alice... Acorda. — Uma voz fraquinha sussurrava algo perto de mim. Afundei na cama, colocando as cobertas sobre a cabeça, em uma tentativa frustrada de ignorar aquelas palavras. Contra minha vontade, abri os olhos e encarei a pequena pessoa sorridente em minha frente.
— O que foi? — murmurei, minha voz ainda um pouco rouca.
— Você está com uma cara estranha — continuou o pequeno menino, que agora se aninhava nas cobertas perto de mim.
— Claro, deixe-me pensar, não seria porque alguém veio me acordar às sete horas da manhã em um sábado? — falei com uma voz séria, mas não consegui evitar um sorriso. — Espero que você tenha um motivo para ter me acordado, Mathias.
Mathias era meu irmão mais novo. Apesar de ser uma das pessoas mais amorosas que eu conheço, ele tinha a mania de me acordar cedo sempre que possível com as mais variadas razões.
— Eu tenho um ótimo motivo! — gritou, pulando na cama — O carro da prefeitura acabou de passar anunciando a inauguração da Grande Árvore de Natal! Temos que passear pela rua hoje à noite! Quero ver o Papai Noel, Alice! — terminou empolgadamente. — Papai e Mamãe vão trabalhar essa noite, então eu estou preso com você de qualquer maneira. Por favor! — Mathias acrescentou no final, com um ar de chantagem em suas palavras.
Em dezembro, a cidade se transformava para dar espaço ao Natal dos Anjos. Todos os anos eu levava meu irmão para passear na rua alguns dias antes do natal. O menino visitava a Casa do Papai Noel enquanto eu esperava por ele, e depois passávamos algumas horas no parque de diversões que se instalava perto da praça da cidade. Como as lojas ficavam abertas até mais tarde naquele período, também aproveitávamos a noite para fazer as compras para a véspera de natal, pois nossa família sempre fazia uma festa.
Enquanto a neve de papel caia suavemente, podíamos sentir no ar o espírito natalino que trazia consigo uma magia que encantava e surpreendia pessoas de todas as idades. Como de costume, eu e meu irmão terminávamos a noite deitados embaixo da grande árvore de natal, apreciando o festival de sons, luzes e cores.
— Combinado. — respondi, sorrindo. — Sairemos ás 18h45min. Esteja pronto!
No horário combinado, deixamos a casa. A noite passou da melhor forma possível e, no final, quando estávamos deitados sob as luzes da árvore, meu irmão me perguntou: "Porque não pode ser natal todos os dias?". Fiquei imaginando o porquê da tal pergunta, mas não pensei por muito tempo, pois ele logo continuou seus pensamentos.
— Todos os dias, vemos uma quantidade de coisas ruins acontecendo. Nossos pais nos falam para ter cuidado. Algumas pessoas são malvadas e o mundo não é tão perfeito como a gente pensa. — continuou Mathias. Fiquei surpresa com a seriedade da fala do menino. Para uma criança de apenas seis anos, ele era bastante maduro. Entretanto, deixei-o prosseguir com sua fala.
— No natal, as pessoas são mais gentis, parece que o mundo é um lugar melhor. A gente pode ver todo mundo sorrindo, e coisas impressionantes acontecem inesperadamente. - Terminou ele.
Abracei meu irmão e respondi sinceramente:
— Não existe um creme mágico para tirar as rugas do mundo, pequeno, mas nós podemos aproveitar cada momento e, subitamente, descobrir que eles podem ser extraordinários, como esse agora. Sem querer, descobrimos que ele é um dos nossos momentos felizes, que permanecerá na memória. Essa sensação de encontrar o que não estávamos procurando e perceber o quanto é especial, é o que temos de mais perto da magia.
Por um momento, parei para refletir sobre o que eu havia falado para o meu irmão e então uma verdade me atingiu. Observando as cores cintilarem, percebi que qualquer coisa pode acontecer, e eventos afortunados podem nos surpreender em um piscar de olhos. Nossas maiores descobertas felizes são feitas ao acaso. Essa história não termina com "Felizes para Sempre". Essa é uma história sobre serendipidade.
— Inspirado no evento "Natal dos Anjos, da cidade de Dois Irmãos" http://www.nataldosanjos.com.br/2013/
— Você está com uma cara estranha — continuou o pequeno menino, que agora se aninhava nas cobertas perto de mim.
— Claro, deixe-me pensar, não seria porque alguém veio me acordar às sete horas da manhã em um sábado? — falei com uma voz séria, mas não consegui evitar um sorriso. — Espero que você tenha um motivo para ter me acordado, Mathias.
Mathias era meu irmão mais novo. Apesar de ser uma das pessoas mais amorosas que eu conheço, ele tinha a mania de me acordar cedo sempre que possível com as mais variadas razões.
— Eu tenho um ótimo motivo! — gritou, pulando na cama — O carro da prefeitura acabou de passar anunciando a inauguração da Grande Árvore de Natal! Temos que passear pela rua hoje à noite! Quero ver o Papai Noel, Alice! — terminou empolgadamente. — Papai e Mamãe vão trabalhar essa noite, então eu estou preso com você de qualquer maneira. Por favor! — Mathias acrescentou no final, com um ar de chantagem em suas palavras.
Em dezembro, a cidade se transformava para dar espaço ao Natal dos Anjos. Todos os anos eu levava meu irmão para passear na rua alguns dias antes do natal. O menino visitava a Casa do Papai Noel enquanto eu esperava por ele, e depois passávamos algumas horas no parque de diversões que se instalava perto da praça da cidade. Como as lojas ficavam abertas até mais tarde naquele período, também aproveitávamos a noite para fazer as compras para a véspera de natal, pois nossa família sempre fazia uma festa.
Enquanto a neve de papel caia suavemente, podíamos sentir no ar o espírito natalino que trazia consigo uma magia que encantava e surpreendia pessoas de todas as idades. Como de costume, eu e meu irmão terminávamos a noite deitados embaixo da grande árvore de natal, apreciando o festival de sons, luzes e cores.
— Combinado. — respondi, sorrindo. — Sairemos ás 18h45min. Esteja pronto!
No horário combinado, deixamos a casa. A noite passou da melhor forma possível e, no final, quando estávamos deitados sob as luzes da árvore, meu irmão me perguntou: "Porque não pode ser natal todos os dias?". Fiquei imaginando o porquê da tal pergunta, mas não pensei por muito tempo, pois ele logo continuou seus pensamentos.
— Todos os dias, vemos uma quantidade de coisas ruins acontecendo. Nossos pais nos falam para ter cuidado. Algumas pessoas são malvadas e o mundo não é tão perfeito como a gente pensa. — continuou Mathias. Fiquei surpresa com a seriedade da fala do menino. Para uma criança de apenas seis anos, ele era bastante maduro. Entretanto, deixei-o prosseguir com sua fala.
— No natal, as pessoas são mais gentis, parece que o mundo é um lugar melhor. A gente pode ver todo mundo sorrindo, e coisas impressionantes acontecem inesperadamente. - Terminou ele.
Abracei meu irmão e respondi sinceramente:
— Não existe um creme mágico para tirar as rugas do mundo, pequeno, mas nós podemos aproveitar cada momento e, subitamente, descobrir que eles podem ser extraordinários, como esse agora. Sem querer, descobrimos que ele é um dos nossos momentos felizes, que permanecerá na memória. Essa sensação de encontrar o que não estávamos procurando e perceber o quanto é especial, é o que temos de mais perto da magia.
Por um momento, parei para refletir sobre o que eu havia falado para o meu irmão e então uma verdade me atingiu. Observando as cores cintilarem, percebi que qualquer coisa pode acontecer, e eventos afortunados podem nos surpreender em um piscar de olhos. Nossas maiores descobertas felizes são feitas ao acaso. Essa história não termina com "Felizes para Sempre". Essa é uma história sobre serendipidade.
— Inspirado no evento "Natal dos Anjos, da cidade de Dois Irmãos" http://www.nataldosanjos.com.br/2013/


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